“Se me dessem uma cidade inteira, só pra mim, eu ainda escolheria o sítio”, contava Antony, morador da comunidade de Porto Velho, identificada pelos que ali vivem como o “interior” de Itapejara d’Oeste, Paraná. O que o garoto de 11 anos não sabia é que, em sua sincera e humilde partilha, profetizava.

Entre os dias 02 e 10 de julho, 20 jovens Maristas participaram da “Missão Solidária Marista Irmão Lourenço”, na cidade de Itapejara d’Oeste, em especial recebidos pelos moradores de Barra Grande e Porto Velho. A atividade faz parte do itinerário de educação para a solidariedade, promovido pelo Grupo Marista, e consiste em um aprofundamento da prática solidária entre seus participantes.

O homenageado, Irmão Lourenço, que o diga! Caminhava todo domingo com uma sineta na mão, chamando as crianças para falar a elas sobre Deus. Caminho que também fez Cristo, de Belém à Narazé, de Caná à Jerusalém. Imitado de perto por Padre Champagnat, que há quase 200 anos subiu os degraus de Fourvière; que caminhando se perdeu na neve e se encontrou com Maria e que andando conheceu Montagne e se encontrou com a vontade de educar. Também fizeram um caminho os discípulos de Emaús, que só reconheceram Jesus na fração da pão.

Isto é um pouco da Missão Solidária. Um caminho que se caminha melhor quando se caminha junto e quando se partilha a vida. A proposta da Missão Irmão Lourenço é diferente daquelas que a antecedem: aqui, antes das atividades de grupo, está a experiência de vivência com a família acolhedora. Por 7 dias, o que fez a família, fez também o participante, recebido como filho e filha. Da canastra ao trato dos animais. Da ordenha à lenha a ser cortada. É uma peregrinação ao autoconhecimento e à hospitalidade. Durante esta semana, os jovens participaram de momentos de deserto, oferta e acolhida. É a liturgia da hospitalidade, onde todos abrem seu coração em plenitude ao outro e a si mesmo. Não há mais anfitrião ou hóspede, todos são família – espaços de partilha e vida.

A hospitalidade é de quem se propõe a encontrar Jesus durante o caminho, esteja ele na partilha do chimarrão ou no silêncio da noite estrelada de Itapejara. Antony profetizou, pois narrou o que viria a acontecer, uma semana depois da predição: ninguém queria deixar os novos lares, as novas famílias, redutos de carinho que os receberam na mesa e na roda de conversa diária. Missão, contudo, pede isso. É a sina do caminhante, missionário. A ele, “não há caminho, se faz caminho ao caminhar”, diria Antônio Machado. Que se sinta agradecido o solo santo de Itapejara, que abriu portas e lugares à mesa aos missionários, Maristas de Champagnat.

Gustavo Schimidt Queiroz – Jovem Marista participante da MSM Ir. Lourenço