Na manhã de hoje (31), o Ir. Henrique Maurina deixa a vida presente. Há quatro anos vinha sendo tratado e acompanhado na Residência Marista São José, em São José dos Pinhais. Nos dois últimos anos, passou algumas vezes pela UTI em estado crítico. Sofria de pneumonia e de processo infeccioso. Com 93 anos de idade, recolhido à UTI do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, faleceu vítima de pneumonia bacteriana não especificada e doença pulmonar obstrutiva crônica.

O Ir. Henrique Maurina tinha um temperamento muito ativo e emotivo, o que marcou fortemente seu modo de ser, de se expressar e de trabalhar. Sem dúvida, trabalhou essas suas energias de modo a construir um caráter mais harmonioso e apropriado à sua missão educativa. Era incansável no trabalho, marcando presença sempre que possível, conhecendo muita gente, muitos alunos, muitas autoridades e cultivando amizades verdadeiras e duradouras. Aos jovens ele falava com emoção. Confira o vídeo com o depoimento dele durante a 1ª Jornada Provincial Marista de Juventudes de 2011.

Com ardor semelhante viveu sua fé, transmitindo-a e animando-a entre seus alunos. Nota característica foi a terna devoção a Maria que cultivou, na vida pessoal e nos ambientes em que tinha influência. Se a vida humana vem marcada, inevitavelmente, de limites e fraquezas, consola-nos a certeza de que a generosidade no serviço de Deus e dos Irmãos supre largamente as deficiências inerentes à humana existência.

 

Biografia

O Ir. Henrique Maurina era filho de Sílvio Maurina e da dona Florinda de Bortoli. Nasceu em São Marcos, Rio Grande do Sul, em 10 de agosto de 1922. Nascido em família numerosa, optou pela vocação marista em maio de 1938, iniciando sua caminhada preparatória na casa de formação de Antonio Prado, depois em Veranópolis e Porto Alegre. Feito o Noviciado, em 1943, fez a primeira profissão em 24 de janeiro de 1944 e a profissão perpétua, em 1949. Em julho de 1966 emitiu o voto de Estabilidade.

Como profissional e apóstolo, atuou nas instituições maristas de 7 cidades, nos Estados do RS, SC e PR. Foi diretor no Colégio Santana, em Uruguaiana; nos colégios Marista e SATC, em Criciúma; no colégio Frei Rogério, em Joaçaba. Trabalhou em Curitiba durante 26 anos, em períodos intercalados, aliando sempre o magistério e a função de acompanhante (prefeito, como se dizia) de alguma turma de alunos internos.

Lecionou por 50 anos e, cumulativamente, foi diretor por 8 anos. Sua disciplina preferida era a Biologia, tendo cursado História Natural na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, atual PUCPR, em Curitiba. Em duas oportunidades, em 1969 e em 1990 especializou-se em Citogenética e Neurociência, no Instituto Cajal, em Madrid. Apreciado professor, fez muitos amigos e admiradores entre alunos e ex-alunos. As frequentes visitas de ex-alunos, ao longo dos anos, sem dúvida, ajudaram-no a manter seu idealismo.

Como a maioria dos Irmãos, fez o segundo Noviciado, a título de formação continuada, em Saint Paul-Trois-Châteaux, centro-sul da França e, mais tarde, o curso de 3ª idade, em Roma. O Ir. Henrique, nascido em família muito religiosa, viu sua mana Teresa ser afiliada ao Instituto. Essa Teresa foi a primeira mestra do Irmão e, por oito anos, sua professora. Por esse motivo, estimava-a, particularmente. Sem dúvida ela influenciou sua decisão de se fazer marista, tendo presente que ela se devotou, por longos anos, à pastoral vocacional eclesial e marista.

O Irmão Henrique sempre foi uma pessoa identificada com a educação, vibrante e persistente na realização de seus objetivos. Alunos e ensino cativaram-no fortemente e tornaram-no, até certo ponto, dependente das salas de aula, dos campos de esporte e de todas as instâncias educativas que o regime de internato propiciava.

Grande amante da disciplina, tinha forte ascendência sobre os alunos e assembleias várias. Decisões rápidas, voz incisiva e notória carga emotiva que marcavam suas palavras disciplinavam e silenciavam qualquer auditório. Assim, mesmo idoso e com as forças abaladas, ainda procurou fazer presença entre os alunos e nas salas de aula do Colégio Paranaense, durante os anos em que tratava de sua saúde, residindo em S. José dos Pinhais (2011 a 2014). Apenas em 2015, interrompeu essas visitas, aconselhado por seus superiores.

Palavras do Ir. Henrique Maurina

Em 2014, o Irmão escreveu algumas linhas, dirigindo-se a Deus e aos Irmãos:

“Deus me chama; estou me preparando. Mesmo assim peço, muitas vezes, que me dê mais tempo, mais anos, para amá-lo, glorificá-lo, adorá-lo, agradecer-lhe, pois para aqueles que descem à sepultura a vida termina e já não podem fazer o que ainda posso fazer. (…) Creio no Senhor; Ele é Deus de misericórdia e de solidariedade. ”

“Quem aceita a Deus Pai aceita Jesus, seu Filho amado. A Ele Deus Pai tudo entregou: julgar, chamar-nos a si, bem como a toda a humanidade. Ele deseja que ninguém se perca. Com essa confiança parto com Maria, a Boa Mãe. Obrigado pelo ânimo, pelo amor e carinho que recebi; sempre fui contemplado. Adeus aos Irmãos da Comunidade e a todos os Irmãos da Província. No céu, não vou esquecer-me de ninguém. Perdão por não ter sido sempre boa testemunha de consagração. ”

“Quantos santos Irmãos! Com eles vivi e recebi bons exemplos: muito obrigado! Percebo que Jesus, a quem tanto amo, está me chamando. Procurei ser fiel à espiritualidade que assumi. Na vida tive dificuldades, porém, alegrias ainda maiores. Sempre adorei estar com os alunos que tantas alegrias e tanto entusiasmo me proporcionaram. Obrigado a meus superiores que conservo em meu coração. Vale a pena morrer na Congregação de Maria! Perdão pela pressa… as forças me faltam.  Terei saudades de todos os Irmãos, mormente dos superiores que tiveram grande carinho por mim. Eternas saudades!”

Informações | Velório e Sepultamento

O corpo do Ir. Henrique foi levado ao Colégio Paranaense nesta tarde para o velório. Às 18h30 haverá missa, no Colégio, celebrada pelo capelão e amanhã (01), às 9h30, a santa missa de corpo presente, celebrada pelo Padre Aleixo. Em seguida, sepultamento, no Cemitério Água Verde.