Um dos mais importantes patrimônios Maristas, as cartas que Champagnat escreveu aos “irmãozinhos de Maria” revelam não apenas os hábitos e os costumes daquela época. Elas também mostram a misericórdia que se fazia presente na relação entre eles e são um registro vivo da fundação do Instituto.

Conheça três momentos que revelam como a misericórdia, tão urgente neste Jubileu Extraordinário, já se fazia presente no DNA da nossa missão:

1 – Carta ao Irmão Barthélemy

Nela, Champagnat relembra a atitude misericordiosa de Jesus de carregar cada um de nós em seus ombros e morrer de novo, se preciso fosse, por cada um de nós:

Não se canse de dizer aos seus alunos que eles são os amigos dos santos, da Santíssima Virgem e particularmente do mesmo Jesus Cristo […] que Ele estaria disposto, se necessário fosse, a morrer de novo sobre a cruz, aí mesmo, em Saint-Symphorien, para salvá-los. […] Diga-lhes ainda que eles podem tornar-se grandes santos, até sem muito sacrifício, pois o bom Jesus promete colocá-los sobre seus ombros, para poupar-lhes esforço. (CARTAS, n.24).

2 – Carta das Lágrimas

Em uma das mais emblemáticas cartas, enviada ao Vigário Geral de Lion, Padre Cholleton, chamada de Carta das Lágrimas, Champagnat relata as fases mais difíceis de sua vida e do nascimento do Instituto, relembrando delas não com rancor, mas misericórdia:

Por fim, Deus em sua infinita misericórdia, – ai! que digo? – talvez em sua justiça, me devolve por fim a saúde. Tranquilizo meus filhos; digo-lhes que nada temam, que eu compartilharei de todos os seus dissabores, partilhando até o último pedaço de pão. (CARTAS, n.30).

3 – Carta ao Padre Mazelier

Uma das lições que Champagnat aprendeu com a doença da qual nunca se recuperou completamente foi a de entregar toda a sua vida nas mãos de Deus:

Uma indisposição, que espero não seja muito grave, acaba de me impedir de prosseguir e me obriga a regressar. Seja Deus bendito mil e mil vezes! O Soberano Mestre tem boas razões para agir assim. Não lhe peço senão uma coisa: que eu possa cantar eternamente suas misericórdias! (CARTAS, n. 122).