O que é um Leigo Marista? Esta é uma dúvida corriqueira nos espaços Maristas. Para esclarecer o termo devemos, em primeiro lugar, diferenciar fundamentalmente dois tipos de Leigos: o Leigo Colaborador Marista e o Leigo Marista. O primeiro é aquele que trabalha em alguma unidade Marista, exercendo alguma profissão. O segundo – o Leigo Marista – é aquele que, a partir de um processo pessoal de discernimento, decidiu viver sua espiritualidade e a sua missão cristã do jeito de Maria, segundo a intuição de Marcelino Champagnat.

A opção de ser um Leigo Marista não quer dizer que ele se compromete a viver a vida como um Irmão Marista, mas sim, a viver sua vida cristã no mundo à luz da Espiritualidade Marista de Champagnat. Não é possível se preparar para a celebração dos 200 anos do Instituto Marista sem refletir sobre a atuação dos Leigos Maristas em todas as Províncias, espalhadas pelos 82 países do mundo.

O desenvolvimento da obra de Champagnat não seria possível sem a presença destas pessoas que, vivendo o carisma, seguem com fé e responsabilidade na Missão Marista. Para falar sobre este tema, mais especificamente sobre o desenvolvimento do laicato Marista no Instituto e as perspectivas de futuro, a equipe da Comunicação Institucional do Grupo Marista entrevistou o Ir. Javier Espinosa, Diretor do Secretariado dos Leigos do Instituto Marista. Confira:

A aproximação do Bicentenário do Instituto Marista nos leva a refletir sobre o percurso realizado pelos Leigos Maristas. O senhor poderia comentar sobre o assunto e destacar alguns elementos históricos deste desenvolvimento?

Falar de quase 200 anos de vida do Instituto Marista significa lembrar o processo histórico vivido neste tempo com relação aos Leigos. Relembrando os últimos 50 anos, encontramos por volta dos anos 60 que os Leigos eram os colaboradores dos Irmãos. Como o passar dos anos, começamos a falar da Família Marista, de Missão compartilhada, de estender o espaço da tenda, de construir uma nova tenda. Agora, Irmãos e Leigos, sentimo-nos transmissores do carisma Marista. Para mim, a celebração do Bicentenário abre novas perspectivas para minha vocação de Irmão. Pressinto uma nova dimensão, a de ser colaborador dos Leigos em sua missão atual na Igreja e no projeto Marista. Humilhar-se como Jesus, vestir o avental, lavar os pés, adquire para mim um novo significado.

Como deve ser o itinerário espiritual e formativo ideal de uma pessoa que deseja se tornar um Leigo Marista e levar adiante o legado de Champagnat?

Falamos atualmente de vocação laical. Em um tempo, a vocação fazia referência unicamente à vocação dos Irmãos. No espírito do documento “Em torno da mesma mesa”, ser Leigo Marista é se sentir vocacionado. De outra forma, é sentir que o projeto amoroso de Deus para essa pessoa é um projeto de plenitude, que coincide com a proposta Marista. Ser Leigo ou Leiga Marista vem a ser uma forma de se situar no mundo, um estilo, um jeito de ser. Faz-se necessário um percurso espiritual e formativo. E é onde a resposta ao chamado de Deus se discerne, se acompanha, se enriquece. Já existem algumas Províncias Maristas que oferecem propostas formativas neste sentido. O Secretário dos Leigos está empenhado neste momento, depois de uma Proposta realizada pelo Conselho Geral, em oferecer alguns elementos básicos de um Marco Global do processo vocacional Marista para Leigos e Leigas. Este Marco propõe um itinerário formativo e alguns rastros de vinculação e pertença, assim como possibilidades de organização laical em nível internacional. É uma proposta de quatro momentos, com opções pessoais progressivas, dentro de um espírito de muita liberdade. Certamente não são fases ou etapas, mas sim diversas opções de adesão ao carisma Marista. Para o Capítulo Geral de 2017, certamente teremos esta proposta ajustada.

Na sua opinião, como a nova relação entre Irmãos e Leigos em nível local, provincial e internacional pode contribuir para o desenvolvimento e perenidade do Instituto?

Na nova relação está pressupondo para Irmãos e Leigos compartilhar o mesmo carisma, viver a complementariedade vocacional, enriquecer-se mutuamente, sustentar juntos a Missão Marista, ajustar as específicas identidades, promover juntos a vitalidade do carisma, olhar o futuro como um futuro comum. Os Irmãos contribuem com a riqueza de uma história de quase duzentos anos. Os Leigos e Leigas introduzem a novidade de matizes do carisma para o tempo atual. Com a nova relação, o carisma adquire nova densidade e força, para ser projetado para o futuro com esperança. Mais ainda, sonho com que este caminho de comunhão empreendido no Instituto fortaleça a opção laical Marista, de forma que em alguns lugares sejam os Leigos em maioria mantendo e acompanhando a Missão Marista, a espiritualidade Marista. O carisma sustentado pela comunhão Irmãos-Leigos adquire novas possibilidades quando é desenvolvido em formas laicais, mesmo em lugares ou regiões onde não há presença de Irmãos. Seria um momento onde abertamente expressam-se a globalização da vocação Marista laical, a força da comunhão com os Irmãos e a ação maravilhosa do Espírito que age surpreendentemente.

Quais as perspectivas de futuro para o Laicato Marista frente ao “novo começo” do Instituto Marista?

Se o primeiro início foi basicamente realizado por Irmãos, sinto que o novo começo é para Irmãos e Leigos. Definir e assentar os processos de formação, vinculação e associação laical parece-me indispensável para esse novo início ao qual somos convidados atualmente. A missão, a espiritualidade e a fraternidade Maristas poderão ser sustentadas e transmitidas no futuro se juntos, Irmãos e Leigos, realizarem este novo caminho, este novo começo.
A nova época para o Instituto estará feita de comunhão, assim como a nova época para a Igreja. Mas esta comunhão se constitui. Creio que para uma parte das províncias do Instituto, é o momento adequado para criar as condições para esse futuro. Ao meu entender, o novo começo exige uma ação bem definida e bem globalizada por parte de todos os estamentos do Instituto. Creio que se está no caminho. Sabendo, além disso, que o que agora é semeado tardará vários anos para produzir frutos.

Desafios das Províncias Maristas no desenvolvimento do Laicato Marista

  • Romper as zonas de conforto, ou seja, a segurança que a Instituição e os Irmãos dão. O foco da opção Marista para um Leigo é a opção de seguir a Jesus no espírito que nos deixou Champagnat. Isto vai além da Instituição.
  • Crescer em comunhão com Leigos e Leigas de todo o mundo Marista. Globalizar a opção vocacional Marista. A partir dessa diversidade, buscar a comunhão.
  • Optar por um itinerário sério de formação e crescimento espiritual. Este itinerário supera o que seria uma capacitação para trabalhar em uma obra Marista.
  • Determinar formas de vinculação e pertença laical. Teria de discernir se vinculação com o carisma ou com a Instituição.
  • Oferecer a possibilidade de se organizar e se comprometer na missão de acompanhar e animar os processos laicais em nível internacional.
  • Criar um grupo de leigos que, com visão internacional, estivesse disponível para tarefas de missão em partes do mundo, para iniciar a presença Marista ali onde não a tem, para ser propulsor de vitalidade carismática.
  • Ter líderes carismáticos, convencidos e lutadores que sigam com seu testemunho e com suas propostas criativas.
  • Entrar em uma dinâmica de conversão, aqui sobretudo, para os Irmãos, sendo introduzidos em novos referenciais vocacionais de comunhão, de forma de ser Irmão, de nova vida consagrada, de novas presenças na missão.

Quer saber mais sobre o Laicato Marista? Entre em contato com o Setor de Vida Consagrada e Laicato do Grupo Marista pelo telefone: (41) 3271-6477