Para os antigos romanos Fourvière correspondia ao Foro Vetus ou fórum velho, construído na época de Trajano, na parte mais alta de Lyon e conferindo ao distrito do alto da colina o nome de “four vière”. Na Idade Média (1192), o lugar deu origem a um centro de peregrinação para os cristãos. Com efeito, construíram uma igreja sobre essa colina, em homenagem a Maria. Destruída durante as guerras de religião, foi reconstruída em 1586.

Em 1870, quando os prussianos ameaçavam invadir Lyon, os cristãos prometeram construir um grande santuário, dedicado a Maria, se a cidade fosse preservada da guerra. Assim foi e a construção foi realizada de 1872 a 1896. É a belíssima igreja que hoje domina a cidade, ornada com mosaicos e vitrais, sempre com motivos marianos.

Marcelino Champagnat e seus colegas de ordenação sacerdotal – mentores da nova “Sociedade de Maria” – buscaram, no histórico santuário, no dia 23 de julho de 1816, força e coragem para realizarem seu intento: Marcelino via como prioritária a fundação de uma congregação de Irmãos dedicados ao ensino e à formação cristã; os demais, com o Pe. Colin à frente, visavam dar origem à “Sociedade de Maria” que incluiria sacerdotes, Irmãos e Irmãs. Todos eles depuseram, aos pés de Maria, seu projeto fundador e suas vidas.

Champagnat, no dia seguinte, retornou ao santuário para um ato de entrega mais pessoal. Foi implorar a proteção de Maria, as graças necessárias e a constante intercessão junto a seu Divino Filho. Reconhecia que, sozinho, nada poderia; mas com Maria tudo seria possível. Ardendo de amor a Jesus e a Maria, amadurecera seu plano. Coração compassivo e generoso, não lhe saíam da mente as crianças e os jovens abandonados à sua sorte. Era preciso formá-los cristãmente e prepará-los para a vida. Foi esta intuição, este propósito e pedido de ajuda que ele veio confiar a Maria.

“Hoje, tomamos consciência de que o povo de Deus, especialmente aqueles que se sentem cativados pelo mesmo ideal, pelo serviço educativo e pela espiritualidade de Marcelino, participam de seu carisma. Há, sem dúvida, graus ou níveis de participação, desenhados de uma parte, pelo zelo e pela fé com que a causa é assumida e, de outra, pela assimilação e a vivência da espiritualidade. Esta é uma dimensão importante no significado do Bicentenário. Concluído ao Ano Montagne, celebraremos o Ano Fourvière, de julho de 2015 a julho de 2016. Com certeza, será fortemente centrado em Maria, recordando a intuição, a tenacidade e a caminhada de fé dos Fundadores da Sociedade de Maria, e para nós, particularmente, de Marcelino Champagnat”. (Ir. Aloísio Kuhn).