Antigamente chamado de Apoio Socioeducativo, o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos faz parte da proteção social básica do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
 Desde 2016, o Conviver Marista tem sido adotado pela Rede Marista de Solidariedade (RMS) como o nome fantasia para este serviço. Independentemente de todas essas nomenclaturas, uma coisa é certa: este é um dos principais serviços desenvolvidos pela RMS nas unidades sociais.

Com projetos em 13 das 26 unidades sociais nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, o Conviver Marista atende aproximadamente três mil crianças e adolescentes com idade entre 6 e 17 anos, que estão em situação de risco e vulnerabilidade social.

Proposta
O Conviver Marista oferece uma educação integral que potencializa crianças e adolescentes sujeitos de direitos a construir conhecimentos de forma participativa e entender e interferir positivamente na realidade onde estão inseridos, considerando a cultura da comunidade.
Nele, o educando é concebido em toda a sua subjetividade, que é expressa por meio de gestos, olhares, palavras e posicionamentos. O serviço valoriza a identidade e o empoderamento das crianças e jovens enquanto sujeitos de direitos.
Um novo currículo
Foi a partir de 2014, com a observação dos índices de frequência, desistência, problemas disciplinares e avaliações pelos educados e suas famílias, que a RMS iniciou uma série de estudos com o objetivo de revisar a metodologia usada no Conviver Marista e fundamentar uma nova proposta curricular.
O que mudou? A partir da estruturação do novo currículo, os projetos desenvolvidos no Conviver Marista passaram a seguir os eixos de articulação curricular que representam noções, concepções e assuntos fundamentais nos processos pedagógicos. São eles: (1) Expressão e Criatividade; (2) Letramento; (3) Habilidades para a Vida; e (4) Projeto de Vida, Direitos Humanos e Território.
Os educandos são o centro do processo
Ou seja, são eles que organizam sua agenda de atividades de acordo com suas escolhas, o que permite a eles pertencer a diversos grupos e projetos. Os grupos, oficinas e projetos são direcionados por faixas etárias específicas ou mistas, e o ponto forte nisso tudo é, justamente, o processo de escolha, que gera o respeito às necessidades, sonhos e desejos de cada criança e adolescente participantes do Conviver Marista.
Para Karen Samyra, 14 anos, educanda do CSM Ir. Justino, as mudanças foram bastante positivas. “Nós sempre tivemos voz aqui no espaço, mas agora podemos decidir o que queremos fazer no nosso dia a dia”.
De acordo com a educanda, “quando escolhemos fazer algo que gostamos e sentimos vontade de fazer, isso faz com que o trabalho tenha muito mais sentido”.

Avanços e conquistas
Ao estimular a participação dos educandos e colocá-los como protagonistas de suas decisões, a dinâmica do Conviver Marista acaba fortalecendo o sentimento de pertença. Como resultado, as unidades sociais observaram melhorias significativas no atendimento do serviço: redução significativa na porcentagem de desistências e nos conflitos anteriormente vividos nas oficinas.
Além dos avanços acima, o Conviver Marista possibilitou outras conquistas, como o reconhecimento do Centro Social Marista Ir. Justino por sua criatividade para a inovação.
“O Conviver me levou ao mundo da leitura e o mais importante: me mostrou o dom de pensar, pensar antes de agir, pensar ao agir. Simplesmente pensar”, completa Karen.

*Esta matéria contou com a colaboração de Sérgio de Souza Barbosa, assessor educacional da RMS