Estimados Maristas de Champagnat,

Chegamos à celebração da última etapa em preparação aos 200 anos de fundação do Instituto Marista. Este ano é marcado pela atenção à dimensão mística de nossas vidas. Penso que a oração é uma escolha daquilo que é essencial em nossas vidas. Gostaria de compartilhar com vocês um relato já conhecido das páginas Maristas, mas nem por isso isento de grande significação para nós hoje. Trata-se de um diálogo entre o Pe. Champagnat e o Ir. Luís:

“Irmão Luís, você ama Jesus com todo o coração?… Você ama Jesus com seu espírito?… Ama Jesus com todas as suas forças?… Se Jesus lhe perguntar como perguntou a São Pedro: ‘Você me ama’?, o que é que você responderia? Você poderia dizer sinceramente: ‘Sim, Senhor, o Senhor sabe que o amo…’” O Irmão Luís comoveu-se e foi levado às lágrimas por esta série de perguntas; o mesmo Padre Champagnat se inflamou. “Padre, diante da última pergunta, não ouso assegurar a Cristo que o amo; mas parece-me que desejo amá-lo de todo o meu coração e é ao senhor que eu me dirijo para aprender a amá-lo sempre mais”.

Para Champagnat, assim como para Santa Teresinha do Menino Jesus, a oração é “coisa do coração”. Só um coração apaixonado entende o outro. O documento Água da rocha, ao falar da nossa espiritualidade, afirma que é uma história de paixão e misericórdia: paixão por Deus e misericórdia pelas pessoas (Cf. Água da rocha, n.1). Essa definição está na razão de ser do nosso Instituto. Somos apostólicos por natureza. Fomos gerados para a missão. Para nós, Maristas, a realidade do mundo, com seus desafios, e a existência das pessoas, com seus dramas e alegrias, são motivos para encontrarmos Deus.

Em nossa tradição Marista, a oração sempre foi uma realidade muito mais vivida do que explicada. Temos em nossa história um respeitável número de pessoas que levaram a sério a vida de oração e de apostolado em vista de sua santificação. Se pensarmos em nomes como Ir. Luís, Ir. Doroteu, Ir. Francisco, Ir. Alfano, Ir. Basílio, Ir. Henri Verges e tantos outros… que história bonita a nossa!

É para dar continuidade à escrita dessa história que somos convidados a fazer a experiência de ser um contemplativo na ação. Para o contemplativo na ação, o mundo, com todas as realidades criadas, não constitui um motivo de fuga, mas, antes, de plena transformação. O contemplativo na ação é um místico de olhos abertos, pois sabe que seu amor por Jesus se traduz em profecia e comunhão, comunhão da qual a mesa de La Valla é um símbolo.

Para melhor ajudá-lo nesta celebração, a equipe do GT Bicentenário Marista tem a satisfação de entregar-lhe um material que foi preparado para ser utilizado nos momentos de formação, reflexão e espiritualidade.Este material é composto por:

Se quisermos ser homens e mulheres de transformação da sociedade, em primeiro lugar precisamos ser transfigurados por Deus. Em Nairóbi, na II Assembleia Internacional da Missão, reafirmamos que crescemos em humanidade quando nos constituímos como homens e comunidades orantes, tornando, dessa forma, transparente o rosto de Deus.

Que a nossa Boa Mãe e São Marcelino Champagnat nos acompanhem nessa transformação a que somos chamados a realizar neste Ano La Valla.

Curitiba, 15 de agosto de 2016 – Solenidade da Assunção de Nossa Senhora Festa Patronal do Instituto Marista