Marcelino Champagnat, Misericordioso como o Pai é o tema da campanha institucional do Grupo Marista para celebrar o Dia de São Marcelino Champagnat.

Desde muito cedo, os primeiros Irmãos reconheceram em Marcelino a figura de um pai. A paternidade espiritual, com toda certeza, é um dos dons que perduram até os dias de hoje no Instituto. Tal paternidade nasce ancorada na experiência que Champagnat fazia de Deus: o Pai bom e misericordioso. Viveu de tal maneira essa experiência que aceitou de bom grado ser pai dos Pequenos Irmãozinhos de Maria: “Tenho a honra de ser o pai afetuoso em Jesus e Maria” (Cartas, n. 19).

Do dom da paternidade espiritual de Marcelino nasce o desejo de nos aproximarmos ainda mais do seu coração, para assim também nós nos sentirmos abraçados por sua ternura e proteção.

Que possamos fazer a experiência de amor que fizeram os primeiros Irmãos ao redor de Champagnat. Que possamos ouvir hoje sua voz a nos dizer: “[…] eu trago a todos carinhosamente no coração, eu amo todos vocês…” (Cartas, n. 49).

Aprofundamento

O XX Capítulo Geral do Instituto dos Irmãos Maristas apresentou-nos a figura de Marcelino Champagnat a partir da contemplação de quatro aspectos fundamentais de seu coração: um coração apaixonado por Deus, um coração que se revela paterno e materno ao mesmo tempo, um coração de apóstolo e, por fim, um coração sem fronteiras.

A partir desses quatros pontos, propomos um itinerário para um aprofundamento no conhecimento da pessoa e da espiritualidade que moveu esse homem tão cativante (Escolhemos a Vida, n. 15, Documento XX Capítulo Geral).

Um coração apaixonado por Deus

Assim descreve o XX Capítulo Geral: “Um homem de fé, que vive na presença de Deus e que n’Ele vê o mundo. Um homem cativado por Jesus e por Maria. Um homem de oração. Um peregrino na fé. Um coração apaixonado por Deus” (Escolhemos a Vida, n. 15). Os documentos recentes do Instituto Marista tendem a reconhecer a relação de Marcelino Champagnat como uma relação de paixão e misericórdia.

Em primeiro lugar, trata-se de uma paixão por Deus que se constitui como essência e como fundamento de uma experiência encarnada que encontra no mundo não um lugar de fuga e de pecado, mas um lugar onde a misericórdia pelas pessoas se faz concreta a partir da relação profunda da experiência que realizou de Deus.

Um coração paterno e materno

“Um pai que cuida dos Irmãos como seus filhos. Um homem cheio de vigor e de ternura, que sabe cultivar a alegria e o bom humor. Um coração paterno e materno” (Escolhemos a Vida, n. 15).

Marcelino experimentou em sua vida uma relação de filialidade com Deus. Um homem de fé simples, porém profunda, que nos ensina a experimentar a presença de Deus no cotidiano da nossa existência. Deus que se revela acima de tudo como Pai. Um Pai providente e misericordioso. Um Senhor que é o centro de sua vida.

Dessa forma, soube se transformar em Pai para os Irmãozinhos de Maria: “Uma mãe não tem mais carinho para com seus filhos do que o Pe. Champagnat o tinha por nós. E isso ainda não é bem exato pois, não raras vezes, as mães amam os filhos com um amor apenas humano, ao passo que ele nos amava de uma forma toda espiritual”(Origines Maristes, tomo II, doc. 756).

Um coração de apóstolo

“Um pastor que escuta e acolhe as pessoas. Um apóstolo de coração ardente para anunciar a Boa Nova de Jesus. Um amigo das crianças e dos jovens. Um educador que sabe ser misericordioso e exigente. Uma pessoa criativa e audaz” (Escolhemos a Vida, n. 15).

Durante a construção do prédio de cinco andares, o Fundador foi um exemplo para os seus Irmãos. Ele era o primeiro a começar o trabalho todos os dias e o último a parar, à noite. Enquanto os Irmãos admiravam o exemplo de Marcelino, alguns colegas clérigos não demonstravam igual entusiasmo, pois não consideravam adequado o aspecto de um sacerdote com a roupa toda empoeirada e as mãos calejadas pelo trabalho manual. Os paroquianos de Marcelino, porém, apoiavam-no. Amavam-no como o seu pastor de almas e, sendo eles mesmos trabalhadores, admiravam a sua habilidade de construtor e pedreiro (Água da Rocha, p. 78).

Um coração sem fronteiras

“Um homem que vê além de sua época. Abraça o mundo inteiro em sua visão e prepara missionários. Alguém que vive seu ideal com tal intensidade que muitos querem ser como ele e viver com ele” (Escolhemos a Vida, n. 15).

Marcelino não vê a missão como uma tarefa do Instituto, mas como sua verdadeira razão de ser: “Não posso ver uma criança sem me dar vontade de ensinar-lhe o catecismo, e fazer-lhe saber quanto Jesus Cristo a amou e quanto, por sua vez, deve amar o divino Salvador” (Furet, p. 460). Em uma de suas cartas escreve: “Todas as dioceses do mundo estão em nossos planos” (Cartas, n. 93). Nas palavras do Papa Francisco, Champagnat nos revela um coração em saída. Um coração que já não mais se pertence. Um coração feito todo para os outros.

Que ao celebrarmos a festa de São Marcelino Champagnat possamos ser fortalecidos na capacidade de amar.

Oxalá que também nós possamos nos tornar oásis de ternura e misericórdia para os outros por meio de um coração transfigurado pela experiência de Deus, que se deixa abraçar e abraça a todos, manifestando o desejo e a herança do Testamento Espiritual de nosso bom Pai e Fundador. Que se possa dizer dos Irmãozinhos de Maria como dos primeiros cristãos: “Vede como eles se amam…” É o mais ardente voto de meu coração neste último momento de minha vida (Furet, p. 223).