Entre os dias 02 a 05 de novembro foi realizado o Retiro Itinerante do Laicato Jovem Marista, entre as cidades de Antonina e Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná. O momento contou com a participação de 42 peregrinos vindos de diversos lugares do Grupo Marista e da província irmã Sul-Amazônia. Esses eram membros de grupos laicais, do MChFM, Irmãos, postulantes e colaboradores, uma variedade significativa de representantes da praça da Vida Marista.

A intenção do retiro foi o de aproximar os Maristas de Champagnat para uma partilha de vida e experiências numa caminhada em comunidade, permitindo um aprofundamento na identidade, espiritualidade, vida fraterna e missão legados por São Marcelino Champagnat. Aonde poder-se-ia perceber que todos, em sua particularidade, comungam do mesmo carisma.

O retiro teve seu início na manhã do dia 2 de novembro, onde todos foram convidados a estarem em torno da Mesa de LaValla, subindo as escadarias de Fourvière, “carregando” as suas próprias mesas fraternas de vida. Para que assim, pudessem dar continuidade no caminho até Guaraqueçaba.

A única regra do retiro era caminhar, fossem com os próprios pés, com os carros de apoio, ou ainda com a ajuda de um parceiro de caminhada. “Cada um com seu ritmo, alguns mais na frente, outros mais atrás, mas sem esquecer do nosso objetivo que é Jesus Cristo”, comentou Wellinton Trentin, do Laicato Tchô do céu, de Joaçaba-SC e parte da equipe de referência durante o retiro. E para ajudar na caminhada, os jovens eram provocados a refletir sobre variados assuntos que faziam arder os corações e dar força para as andanças.

Mas nem só de sol e flores se faz o caminho, assim como nas nossas vidas. Houve empecilhos, dores, pedras, subidas e decidas. A jovem Francine Grosso, de Londrina- PR, conta como foi percorrer essa estrada do retiro: “O caminho percorrido foi muito diverso, com subidas e descidas, sol e chuva, momentos solitários e com a galera, momentos de alegria, de medo, de confusão, momentos de acelerar o passo, momentos de esperar quem vem atrás, momentos de aconselhar, momentos de ser aconselhado, enfim muitos momentos que nos fizeram sentir o carinho da nossa Boa Mãe e querer cada vez mais seguir o exemplo do nosso querido fundador Marcelino Champagnat” relatou. “Momento esse que faz falta no dia a dia, e os momentos em dupla, pra saber que tem uma pessoa ali contigo, tudo com uma boa dose de uma paisagem maravilhosa e uma boa caminhada.” Completou Ana Grapegia do Laicato Jovem de Cascavel.

Cada um viveu essa experiência a partir da sua particularidade e teve quem reinventou o modo de caminhar, como fez Rafael Rossato, de Maringá, que resolveu fazer certa quilometragem de olhos vendados e ele conta como foi a experiência. “Ao andar por 13 quilômetros vendado, tive uma experiência literal e figurada de uma incerteza de caminho que passamos durante a vida, porém isso me ajudou num processo de interiorização e me levou a reflexões profundas em relação a como esse caminho pode ser trilhado, tomando um salto de fé. Foi um momento singular” comenta.

E a chegada dos peregrinos ao Centro Social Marista de Guaraqueçaba deu-se ao final da tarde de sábado, presenteados com um pôr-do-sol, dignos de esquecer as bolhas dos pés, as dores, e o cansaço e agradecer a Deus por todos os momentos. E dali, no domingo pela manhã, continuaram a “caminhada” mas, dessa vez de barco, seguida de uma viagem de ônibus, onde todos voltaram a suas casas na certeza de que mesmo na caminhada da vida o “caminho se faz ao caminhar”.

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DEPOIMENTOS

“Com a experiência única de andar por 13 quilômetros vendado, tive uma experiência literal e figurada de uma incerteza de caminho que passamos durante a vida, porém isso me ajudou num processo de interiorização e me levou a reflexões profundas em relação a como esse caminho pode ser trilhado, e com esse Retiro Itinerante eu tomei um salto de fé e cresci muito, foi um momento singular. RAFAEL ROSSATO, Maringá (PR)

No começo eu não sabia o que esperar desse encontro por ser o primeiro que eu participava com essa proposta, mas a cada momento que passava eu ficava mais realizada por estar vivendo aquela experiência e feliz por tudo que estava vivenciando. O conjunto dos momentos do encontro o fizeram tão maravilhoso, os momentos de convívio pra fortificar ainda mais os laços feitos em encontros passados e fazer novas amizades, momentos sozinha para tirar um tempo para refletir sobre tudo, momento esse que faz falta no dia a dia, e os momentos em dupla, pra saber que tem uma pessoa ali contigo, tudo com uma BOA dose de uma paisagem maravilhosa e uma boa caminhada. A sensibilidade de todos, com o senso comum de querer chegar juntos nos lugares, de respeitar o ritmo e momento do outro foi uma das coisas que mais me tocou. ANA GRAPEGIA, Cascavel (PR)

O retiro itinerante pra mim foi primeiramente desafiador, pois colocou meus limites físicos à prova. Mas muito mais do que isso, foi uma oportunidade de conhecer pessoas que assim como eu tem um dia a dia com muitas preocupações, mas não esquecem que a espiritualidade Marista nos faz sermos fortes e enxergarmos nas coisas pequenas as esperanças que precisamos para recomeçar a cada dia. As provocações realizadas vem diretamente de encontro com a nossa vida, como “viver ou sobreviver?” ou “o que você faria se não tivesse medo?” nos faz refletir em como estamos aproveitando a nossa vida, simplesmente seguindo rotinas que nos são impostas pela sociedade em que vivemos, onde temos que estudar para termos uma profissão, e depois trabalhar, trabalhar e trabalhar, ou estamos vivendo cada dia como se fosse o último, valorizando as pessoas que estão a nossa volta e fazendo com que cada gesto nosso seja único? O caminho que percorremos foi muito diverso, com subidas e descidas, sol e chuva, momentos solitários e com a galera, momentos de alegria, de medo, de confusão, momentos de acelerar o passo, momentos de esperar quem vem atrás, momentos de aconselhar, momentos de ser aconselhado, enfim muitos momentos que nos fizeram sentir o carinho da nossa Boa Mãe e querer cada vez mais seguir o exemplo do nosso querido fundador Marcelino Champagnat. E agora é a volta à realidade onde espero fazer com que as pedras que aparecerem no meu caminho sejam como aquelas que passamos por cima e deixamos pra trás, mesmo com algumas cicatrizes, e que assim aprendamos a partir dessa experiência à trilhar novos caminhos. FRANCINE GROSSO, Londrina (PR)

Cada um com seu ritmo, alguns mais na frente, outros mais atrás, mas sem esquecer do nosso objetivo que é Jesus Cristo.

É uma grande responsabilidade estar desse lado! Creio que a resiliência, é uma virtude que precisamos ter, mesmo que muitas vezes possa ser MUITO difícil de aceitar algumas questões!

Saio renovado! E o mais importante, feliz!

Feliz por estar a serviço;

Feliz pela equipe;

Feliz por todos os caminhantes;

Feliz por partilhar a vida;

Simplesmente, FELIZ!

WELLINTON TRENTIN, Joaçaba (SC)

Contribuição: Nathan da Costa – Vocacionado Marista (Joinville/SC)