O Grupo Marista inaugura neste sábado (29) o Memorial Marista, uma obra que tem a missão de promover o patrimônio cultural, histórico e espiritual do Instituto Marista por meio de ações educacionais, artísticas e religiosas, bem como processos qualificados de pesquisa, catalogação, conservação da memória Marista e de seu legado para a Igreja e para a sociedade. A visitação estará aberta ao público a partir do mês de maio, mediante agendamento prévio e confirmação.

O Superior Provincial, Ir. Joaquim Sperandio, afirma que o Memorial é um marco concreto dos 200 anos do Instituto Marista e um instrumento de resgate do espírito fundacional Marista. “É um espaço que foi pensado para inspirar as pessoas pelo carisma e Missão Marista”, diz. O diretor da unidade, Ir. Benê Oliveira, explica que o Memorial é um projeto concebido em 2002, com a formação da Província Marista Brasil Centro-Sul. “Com a união das Províncias de Santa Catarina e São Paulo verificamos a necessidade de ter um espaço para acolher o acervo das mesmas”, explica.

No Memorial, a circulação de informações é dinâmica e os visitantes podem utiliza-lo como recurso didático. Há ainda a articulação entre vivências religiosas, sociais e educativas no contexto das décadas em que ocorreram; a ressignificação do espaço, do tempo e do lugar; as interconexões entre diferentes histórias de vida dos sujeitos e, por fim, a experiência de pertença ao Instituto Marista.

Confira abaixo a entrevista com o Ir. Benê Oliveira, diretor do Memorial Marista

Ir Benê

  • O Memorial Marista foi concebido em um momento histórico comemorativo do Bicentenário do Instituto Marista. Comente a respeito de como foi realizada a concepção do projeto.

Ir. Benê Oliveira – A concepção do Memorial Marista vem sendo gestada desde a criação da Província Marista Brasil Centro-Sul, em 2002, para congregar o acervo das duas antigas Províncias de Santa Catarina e São Paulo. A propriedade do CMMC foi escolhida para a fixação do edifício e consolidação do projeto do Memorial Marista. O Memorial foi pensado com o objetivo maior de resgatar e preservar os feitos e registros históricos da trajetória de 200 anos de fundação do Instituto Marista e de divulgá-los à comunidade Marista e às gerações que a ele acorrerão em busca do conhecimento e do aprofundamento da vitalidade e perenidade do carisma marista que chegou até nós por São Marcelino Champagnat e pelos Primeiros Irmãos. O Memorial Marista tem a alegria de colocar à disposição de estudiosos do carisma de Champagnat, de colaboradores, dos Irmãos e leigos maristas e do público em geral uma pesquisa tão profunda da história marista, e desta forma contribuir na sua formação e no desenvolvimento da missão marista, hoje. Como é mágico ver surgir dos sonhos e da folha branca de papel o Memorial Marista para narrar nossa história bicentenária, reconhecer o belo legado do nosso passado para projetar com esperança o futuro e a perenidade do carisma marista! Um Memorial é um espaço privilegiado para a compreensão dos valores culturais institucionais, assim como para a difusão deles, internamente e para a sociedade. O Memorial, seguramente, ajudará o seu público interno e a sociedade a perceberem a relevância do nosso patrimônio histórico e espiritual maristas como um campo de possíveis, como um verdadeiro sustentador da nossa cultura bicentenária e de sua divulgação e expansão. Somos um Memorial de real valor cultural, pois estamos presentes em mais de 80 países e carregamos os princípios da internacionalidade, da inter e multiculturalidade!

  • A missão do Memorial é promover o patrimônio cultural, histórico e espiritual do Instituto Marista. Na sua opinião, qual a importância de resgatar a memória institucional, a história de personalidades importantes do Instituto e todo o legado de Marcelino Champagnat?

Ir. Benê Oliveira – “A vida não é a que a gente viveu, mas a que a gente recorda e como recorda para contá-la” ensina Gabriel García Garcia Marquez, escritor colombiano, no livro: “Viver para Contar”. Esse é o sentido do Memorial Marista que será inaugurado em abril de 2017, como principal marco do Bicentenário de fundação do Instituto Marista. Naturalmente, ele será “memória que não pode ser entendida como relicário, mas sim, como lugar do imaginário e da reconstrução da nossa condição de seres históricos, pois aguçando o interesse pelo que foi, podemos construir a memória daquilo que será”, cf. Dante Donatelli, no livro: “O Sentido da Memória”. Assim, o Memorial Marista é uma iniciativa da Província Marista Brasil Centro-Sul (Grupo Marista) com a missão de promover o patrimônio cultural, histórico e espiritual da Instituição Marista por meio de ações educacionais e artísticas, bem como processos qualificados de pesquisa, catalogação, conservação da memória marista e de seu legado para o mundo marista, o Brasil marista, a sociedade e a Igreja.

  • Por ser um espaço de preservação e difusão do patrimônio bibliográfico, documental e material simbólico Marista, o Memorial configura-se em um local propício para a formação dos Maristas de Champagnat. Comente sobre a oferta de cursos da instituição e a utilização da exposição permanente como recurso didático.

Ir. Benê Oliveira – O Memorial Marista quer ser um lugar surpreendente, capaz de encantar diferentes gerações de pessoas, ao apresentar a fecundidade do legado Marista (patrimônio histórico, cultural, social e espiritual) de maneira criativa e propositiva, prazerosa. Contemporâneo nas linguagens, tecnologias e expressões, o Memorial convida os visitantes a fazerem uma experiência imersiva, interativa e sensorial. Na verdade, uma mescla de história, arte, tecnologia audiovisual, contemplação e espiritualidade. O roteiro museológico da exposição de longa duração trabalhará as informações por camadas (física e virtuais), permitindo o contínuo aprimoramento dos conteúdos e metodologias. A exposição de longa duração, juntamente com os recursos e instrumentos da Biblioteca Ir. Francisco, do Arquivo Provincial e da Capela Mãe da Misericórdia que, pelo itinerário histórico dos seus vitrais, servirão de suporte pedagógico para os cursos e formações desenvolvidas junto aos Maristas de Champagnat (Irmãos, Leigas e Leigos) pelo Setor de Vida Consagrada e Laicato e outras Frentes de Missão da Província que também se ocupam da promoção do conhecimento e da vivência da identidade e dos valores do carisma marista.

  • Um dos pilares do Memorial é o investimento em pesquisa e resgate sobre o patrimônio histórico e espiritual Marista. Comente sobre a importância da criação da Biblioteca Ir. Francisco, a possibilidade de pesquisa no Arquivo Provincial e lançamento das publicações especializadas sobre a história Marista.

Ir. Benê Oliveira – A conservação e uso adequado dos documentos históricos e de outras naturezas na vida das pessoas, grupos, sociedades são essenciais para o desenvolvimento da memória histórica. Na Biblioteca Ir. Francisco e no arquivo provincial, ganham destaque a arquivologia, os livros e produções, tais como: os documentos da vida, obra e ensinamentos de São Marcelino Champagnat e dos Primeiros Irmãos, assim como os documentos históricos do Instituto, sobre a vida e obra dos Irmãos e das unidades administrativas, sobre espiritualidade, missão, laicato, compromisso com a solidariedade e defesa e proteção das crianças e jovens e a Mariologia. Muitos fatores, dentre aqueles de talento e competência para levar a bom termo o cuidado com a memória histórica, bem como os de ordem administrativa, nos impediram de avançar esse trabalho no Instituto e nas Províncias. Muitos avanços poderíamos assistir, hoje, se tivéssemos levada a sério a conservação adequada dos documentos institucionais maristas. Fato é que, registros em todos os níveis – provincial, regional e de casa geral, encerram objetivos importantíssimos para uma instituição dedicada à educação, pedagogia, ensino e pesquisa, tais como: salvaguardar, preservar documentos e arquivos; assegurar a descrição, classificação e gestão de tais documentos; gerenciar, monitorar e controlar os conteúdos do arquivo; subsidiar apoio à pesquisa, atualização da bibliografia, da literatura, apoio à orientação de projetos e pesquisas; proporcionar elementos de educação, de ensino e aprendizagem histórico–espiritual aos pesquisadores, etc. Como se pode observar, a fase de cuidados acurados com os serviços de um arquivo, é suficiente para complementar a sua finalidade básica. Mas, o mais importante é alcançar e passar à fase, ao status de apresentá-los em todos os níveis e de utilizá-los como potenciais instrumentos de formação identitária, carismática, espiritual e pedagógica, ou seja, fazer com que redundem em pesquisa aos usuários.

  • O artista Sergio Ceron fez o projeto da Capela Mãe da Misericórdia. Trata-se de uma obra de arte que, desde a sua concepção, está mergulhado em significados teológicos e Maristas. Comente sobre este trabalho que integrará o complexo do Memorial Marista.

Ir. Benê Oliveira – O edifício do Memorial Marista é obra alusiva ao Bicentenário do Instituto Marista (1817-2017). Nele erigiu-se a Capela “Mãe da Misericórdia” e nela, o Painel Iconográfico da “Mãe da Misericórdia”, que exibe dois anjos alados que seguram, numa das mãos, as duas plantas dos símbolos marianos: o Lírio e a Romã, e com a outra mão seguram e ampliam o grande manto da Virgem que abriga os semblantes intercontinentais de crianças, adolescentes e jovens, alvos dos cuidados, da vocação, da missão, da educação, da evangelização, e do compromisso solidário do Instituto dos Irmãos Maristas das Escolas (fms). Nossa Senhora da Misericórdia é uma invocação atribuída à Virgem Maria, Mãe de Deus que, segundo opinião corrente, foi dado pela primeira vez à Maria por Santo Odão († 942), abade de Cluny (França) pelo fato de ter dado à luz Jesus Cristo, a misericórdia visível do invisível Deus Misericordioso. Por isso, é mãe espiritual de todos os fiéis, cheia de graça e de misericórdia! Em 30 de novembro de 1980 o Papa João Paulo II destacou na sua Encíclica “Dives in misericórdia” que Maria é a “pessoa que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina”, cf. nº 09. Oficialmente, a Igreja Católica aprovou no dia 15 de agosto de 1986 a fórmula da Missa Votiva “Santa Maria,  Rainha  e  Mãe  de  Misericórdia”, importante marco para a história de sua veneração. O Catecismo da Igreja Católica (1997) recorda que ao rezar na Ave-Maria: “rogai por nós, pecadores”, estamos recorrendo à “Mãe da Misericórdia”, cf. nº 267. O Papa Francisco na bula de preparação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia (2015-2016), proclamou Maria, Mãe da Misericórdia, pois ela conhece como ninguém, humana e visceralmente, o mistério da filiação de Deus e das entranhas do Pai, que contém também a promessa de nos fazer todos “filhos no Filho”, cf. Misericordiae vultus, 6.  São Marcelino Champagnat estava convencido da misericórdia de Deus e de Maria – canal dessa misericórdia em sua vida e ato fundacional: “Sem Maria, não somos nada; com ela, temos tudo, porque sempre traz Jesus nos braços ou no coração”.

MEMORIAL MARISTA

CMMC – Av. Senador Salgado Filho, 1651

Guabirotuba | Curitiba – PR

(41) 3271-6477

www.memorialmarista.org.br

 

HORÁRIOS DE FUNCIONAMENTO

De terça a sexta, das 9h às 11h30 e das 14h às 17h

Entrada gratuita

*Visitas a partir do mês de maio, mediante agendamento e confirmação.