Com a chegada do inverno, aumentam os casos de doenças respiratórias. Entre elas, a gripe H1N1 que neste ano chegou bem mais cedo do que o esperado e já causou o contágio de milhares de brasileiros. Somente em Curitiba, na semana de 8 a 14 de maio, 21,7% dos atendimentos realizados na rede pública foram de pacientes com complicações respiratórias, variando de resfriados e gripes comuns, até pneumonias, embolia pulmonar e H1N1.

A campanha nacional de vacinação promovida pelo Ministério da Saúde terminou no dia 20 de maio e foi destinada aos grupos prioritários: idosos, crianças de seis meses a cinco anos, gestantes e mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias.

Para José Mario Tupiná Machado, geriatra e professor do curso de Medicina da PUCPR, para quem está nesse grupo, a luta do sistema imunológico com o vírus pode acabar por desgastar o organismo. “O vírus agressivo em um corpo mais debilitado pode, quando não há esta cura da gripe, fazer com que ela se transforme em algo mais perigoso, como pneumonia”, conta.

O especialista explica que a diferença entre a gripe comum e a H1N1, conhecida como gripe A, é que esta é mais agressiva. “Entre os sintomas estão febre, dor articular e muscular, coriza, tosse, fraqueza, catarro e mal-estar geral”, explica.

Contaminação

O contágio do vírus da gripe pode acontecer de duas maneiras. De acordo com o infectologista do Hospital Marcelino Champagnat Moacir Pires Ramos, “a influenza é transmitida pelas cutículas de secreções respiratórias, tosse e espirro, que podem infectar em uma distância de até 1,5 m em um ambiente”.

O especialista aponta ainda que a transmissão pode ocorrer via superfícies. “Se uma pessoa encostar em um objeto que tenha o vírus, que pode sobreviver por aproximadamente 12h in loco, e levar as mãos aos olhos, boca ou nariz, sem higienizá-las com álcool, será contaminada”

Prevenção

A vacinação ainda é a medida mais eficiente para prevenir, mas é possível tomar atitudes para evitar o contágio.  “Devemos adotar medidas de higiene rigorosas, evitando ambientes fechados e aglomerações, além do contato pessoal”, conta Sérgio Surugi, farmacêutico bioquímico e professor da PUCPR.

A orientação geral para evitar a contaminação é:

– Lavar sempre as mãos, utilizando álcool em gel 70%;

– Cobrir a boca ao tossir ou espirrar;

– Ficar sempre em ambientes arejados;

– Evitar locais com grandes aglomerações;

– Hidratar-se sempre;

– Não compartilhar objetos pessoais.

Tratamento

O farmacêutico bioquímico Sérgio Surugi esclarece que, quem vier a desenvolver sintomas suspeitos, a ordem é buscar imediato atendimento médico, pois apesar de trabalhos recentes de revisão colocarem em dúvida a eficácia e a segurança do oseltamivir (medicamento que compete com o vírus no nosso organismo, diminuindo as chances dele infectar nossas células), o tratamento da gripe com esta droga ainda é recomendado pelas principais autoridades sanitárias do mundo.

No entanto, Surugi alerta que esta medicação só se mostra eficaz se administrada nas primeiras 48 horas do surgimento dos sintomas e jamais deve ser usada sem prescrição médica, pois a decisão de sua utilização deve passar por uma rigorosa análise do balanço de seu risco/benefício.