Como Cristãos e Maristas, acreditamos que a vida é um dom de Deus e que precisa ser valorizada e preservada com todas as nossas forças. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (cf. Jo 10,10). Nossa presença, valor tão estimado por São Marcelino Champagnat, torna-se portanto, o veículo fundamental de transmissão do amor e da vida: “para bem educar as crianças e os jovens é preciso amá-las e amá-las todas igualmente”.

Nesse contexto, o Grupo Marista alerta familiares, professores, educadores, educandos e alunos sobre a importância do diálogo em relação aos assuntos que têm repercutido a partir da temática que envolve o Desafio Baleia Azul e a série “13 Reasons Why”, que evidenciam o suicídio e outras questões como bullying, assédio sexual e autoagressividade.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o suicídio é um problema de saúde pública e, nos últimos anos, tem matado mais que homicídios e desastres. Entre os jovens, a incidência maior ocorre na faixa etária de 15 a 19 anos. Entretanto, no contexto que estamos vivendo, não podemos descuidar de nenhuma criança, adolescente ou jovem.

Sendo assim, é necessário abrir um franco diálogo em casa e nos espaços educativos, estabelecendo um clima de afetividade, respeito e confiança de modo que os nossos filhos e alunos possam comunicar seus desejos, medos e inseguranças, pois como dizia Dom Bosco, “para educar um jovem é preciso amá-lo até que ele se sinta amado”. Curiosidades sobre o assunto e questões de bullying devem ser tratadas com franqueza e tranquilidade.

De acordo com a SaferNet, especializada em denúncias anônimas de crimes e violações contra os Direitos Humanos na internet, proibir o acesso, confiscar celular e monitorar o uso de aplicativos por meio de programas “espiões” são medidas pouco educativas e fadadas ao fracasso. Elas não previnem os riscos e comprometem o vínculo de confiança que deve existir entre pais e filhos. A tentativa de eliminar qualquer exposição a riscos em espaços públicos como a internet é praticamente impossível.

Como Maristas, cabe a nós e as famílias, que façamos a nossa parte. Precisamos ter especial atenção ao comportamento de nossos jovens. Alguns sinais podem ser indicativos de que algo pode estar errado. Por isso, é importante prestar atenção se há indícios de automutilação, se acordam de madrugada (especialmente às 4h20 – uma das etapas do desafio Baleia Azul sugere esse horário), se passam muitas horas no quarto, se assistem prioritariamente filmes de terror ou psicodélicos, se estão se isolando, se apresentam tristeza ou se usam exclusivamente roupas de mangas compridas. Além disso, acompanhem de perto a rotina de seus filhos.

Como instituição nos organizamos para abordar esse assunto em forma de projetos que resgatem o valor da vida abrindo espaços de diálogo e reflexão sobre os problemas e a importância de traçar um projeto de vida enfatizando principalmente a formação humana e os valores Maristas.

“Tudo o que acontece em nossa vida tem um propósito. E assim como todas as coisas boas, os problemas que enfrentamos nos ajudam a construir quem somos. Precisamos lembrar que não estamos sozinhos para lidar com nossas dificuldades”.  

Lya Seffrin- aluna do Colégio Marista de Criciúma.