Missão Marista

MISSÃO É UMA INCUMBÊNCIA, UM DEVER, UM COMPROMISSO, UM LEGADO.

Apresentamos os conceitos fundamentais que ajudam aprofundar a compreensão de nossa identidade e missão institucional frente aos desafios do presente e do futuro.

Conceitos Fundamentais
CONCEITO GERAL DA MISSÃO MARISTA

A Missão Marista caracteriza o foco da atuação do Instituto Marista. É considerada inspiração divina e, ao mesmo tempo, fruto do amadurecimento vocacional do fundador do Instituto, Marcelino Champagnat. A missão designada por ele, ao fundar o Instituto Marista, foi “tornar Jesus Cristo conhecido e amado” por meio da educação e, dessa forma, aprimorar a sociedade ao formar bons cristãos e virtuosos cidadãos. Nas palavras de Séan Sammon, Superior Geral do Instituto Marista de 2001 a 2009: “A missão é o cerne do nosso modo de vida” [referindo-se ao motivo da vida consagrada dos Irmãos Maristas]. A identidade do Instituto é construída em torno da mesma mesa e nossa vida comunitária é iluminada por ela. A missão, antes de ser caracterizada pelas obras do Instituto, é definida pelo ato de tornar o próprio Cristo presente no mundo, por meio do testemunho pessoal.

No Grupo Marista, a Missão possui algumas particularidades. É expressa pela frase: “Formar cidadãos humanos, éticos, justos e solidários para transformação da sociedade, por meio de processos educacionais fundamentados nos valores do Evangelho, do jeito Marista.”

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Evangelização

Evangelizar − “dar a boa notícia” − é o propósito da Igreja. Impulsionada pelo Espírito Santo, a Igreja – respectivamente expressão institucional e comunidade de batizados − empenha-se em anunciar e testemunhar Jesus Cristo, cujo núcleo central de sua vida e ensinamento é o Reino de Deus (Cf. Evangelii Gaudium, n. 111). São sinais da presença do Reino de Deus entre nós: o amor ao próximo; a abertura ao diálogo com as pessoas, saberes e culturas; as relações fraternas; a solidariedade; a misericórdia e o serviço ao bem comum; a fé, a esperança e a caridade; a promoção da justiça e da paz; e do bem comum; a oração; ação litúrgica e sacramental; a catequese; e demais experiências de encontro pessoal com Cristo (CELAM Aparecida, n. 11). É tarefa de toda a comunidade cristã promover o Reino de Deus entre as pessoas e as culturas, pondo em prática um projeto pleno de ser humano e de sociedade.

A Pastoral, por sua vez, caracteriza-se pelo cuidado sistemático e organizado na condução da evangelização. Desenvolve para isso metodologias, linguagens e ações diversificadas, com a finalidade de tornar a mensagem cristã significativa e eficaz em cada realidade e junto aos diferentes interlocutores.

No Instituto Marista, a evangelização ocorre no âmbito da educação e da promoção e defesa das crianças, adolescentes e jovens, preferencialmente os que se encontram em situação de vulnerabilidade. Agimos inspirados nas virtudes de Maria, nossa mãe espiritual, modelo de educadora e de seguimento de Jesus Cristo.

No Grupo Marista, a ação evangelizadora ocorre de forma criativa e sensível aos sinais dos tempos, ou seja, de maneira “inculturada”. Perpassa todas as instâncias, buscando conexão com temas universais e elementos congêneres ao Evangelho. Por ora, os elementos inculturadores são: a Dignidade Humana; a Educação Emancipadora; a Espiritualidade; a Alteridade; a Solidariedade Socioambiental; a Catequese; as Infâncias e Juventudes; e os Valores Maristas.

Certas circunstâncias e contingências podem nos condicionar a buscar alternativas para a evangelização. Os ensinamentos do Vaticano II nos asseguram que Deus está presente em outras tradições que não as nossas e cada pessoa deve tomar suas próprias decisões no terreno da fé e da adesão a Cristo. Todavia, em situações de pluralismo religioso, testemunhamos o Reino de Deus vivendo nossa tradição religiosa e assumindo nosso compromisso de fé, mas encorajando todas as pessoas com quem entramos em contato a praticar sua fé de acordo com sua herança religiosa. (Ir. Seán Samon, Superior Geral 2001 – 2009)

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Educação

A educação é um processo histórico-cultural-político, condição fundamental do fazer-se humano, e figura, por isso, no plano global como direito humano. Toda educação leva em conta a referência de ser humano que se pretende formar e o modelo de sociedade que se pretende construir. Por ser sempre um processo intencional de orientação dos sujeitos, não se isenta das relações de poder, podendo cumprir tanto um papel alienador − conformador ou deturpador da realidade − quanto de emancipação dos sujeitos nela implicados. O ser humano tem vocação ontológica para superar sua incompletude, seu inacabamento, que consiste na busca do “ser mais” (Paulo Freire). Porém, tal vocação não pode realizar-se no isolamento individualista, mas somente na comunhão e solidariedade.

A educação Marista, pelo seu caráter cristão, necessariamente concebe a educação como um processo emancipador, amplo, contínuo, integrado ao cotidiano, que correlaciona fé, cultura e vida. Trata-se, portanto, de uma dimensão vital presente em todas as áreas de atuação do Grupo Marista, tanto nas relações internas – interpessoais ou profissionais − quanto nas relações com a comunidade – crianças e jovens, famílias, clientes e parceiros.

Missão Educativa Marista assevera a que “a educação, no seu sentido amplo, é o nosso campo de evangelização: nas instituições escolares, em outros projetos pastorais e sociais e nos contatos informais. Em todas essas situações, oferecemos uma educação integral, elaborada a partir de uma visão cristã da pessoa humana e do seu desenvolvimento.” Para tanto, não se exime de garantir um processo sistemático de formação de educadores cristãos competentes e comprometidos, que vislumbram a dignidade humana, educando o ser humano também para a transcendência (Papa Francisco, Discurso aos participantes do Congresso Mundial de Educação, 2015).

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Promoção e defesa de direitos

A promoção e defesa dos direitos de crianças e jovens dizem respeito à universalidade do acesso e qualidade dos direitos, com especial atenção aos mais vulneráveis e suas necessidades específicas. Essa promoção e defesa é considerada eixo estratégico do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente, apresentando-se de maneira transversal e intersetorial, articulando todas as políticas públicas sociais e setoriais e integrando suas ações.

O Grupo Marista, alinhado ao marco legal nacional e às diretrizes internacionais, busca garantir os direitos humanos, indispensáveis à dignidade e ao desenvolvimento das infâncias, adolescências e juventudes. Atua para fortalecer os sujeitos enquanto cidadãos plenos, contribuindo para garantir sua participação na sociedade.

A proposta do Evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus: “A experiência cristã tende a provocar consequências sociais” (Evangelii Gaudium, n. 180). De sorte que, a incidência cristã em espaços políticos assume hoje importância estratégica. No âmbito global, a Rede Marista de Solidariedade do Grupo Marista articula-se com a FMSI (Fundação Marista para a Solidariedade Internacional), que realiza incidência nos comitês e comissões de Direitos Humanos da ONU. No âmbito nacional e continental, busca alargar a tenda de promoção e defesa dos direitos das infâncias e das juventudes, articulando a ação local – por meio do atendimento com e nas comunidades, buscando a intervenção em questões emergentes e/ou intrínsecas que afetam aquelas realidades – e a global, ao incidir e repercutir de forma qualificada nos espaços nacionais e internacionais, provocando discussões de temas mais amplos (Diretrizes e Direcionamentos para a Rede Marista de Solidariedade).

A promoção dos direitos contempla as ações que contribuem para a prevalência dos direitos humanos. Nessa perspectiva, envolve diferentes atores e setores da sociedade que atuam com foco nas crianças e jovens, suas famílias e comunidades. A promoção dos direitos fundamentais aprofunda a reflexão-ação sobre diversos paradigmas éticos e políticos dos direitos humanos, tais como a universalidade dos direitos, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho, o pluralismo cultural e político, a não discriminação, a participação, a proteção especial diante das violações de direito, a garantia à sobrevivência e ao desenvolvimento, a prevalência do superior interesse infanto-juvenil, entre outros preconizados em documentos normativos internacionais e nacionais.

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Irmãos e Leigos

O Instituto Marista reconhece variados modos de se relacionar com o carisma de Champagnat. Irmãos, leigos e leigas Maristas são aqueles que se engajam na proposta de seguir Jesus Cristo, do jeito de Maria, a serviço das crianças e jovens. Para tanto, são convidados a participar de itinerários para o discernimento e desenvolvimento da própria vocação.

Somos todos “povo de Deus”, com um só Senhor, uma só fé e um só Batismo (Ef 4,5); em comum dignidade dos membros, partilhando uma só esperança e uma caridade indivisa. (Lumen Gentium, n. 32). Os Irmãos Maristas optam por seguir a Jesus Cristo como religiosos consagrados, professando votos de castidade, pobreza e obediência, ato que os vincula canonicamente ao Instituto Marista. Os Leigos e Leigas sentem-se igualmente chamados a viver a vocação Marista sem a necessidade de votos, porém íntegros na própria família e na sociedade, colocando seus dons, habilidades e competências a serviço da missão.

Para o Instituto Marista, a complementariedade vocacional entre Irmãos e Leigos é o meio privilegiado pelo qual se dinamiza hoje o carisma marista. Essa relação se manifesta pelo exemplo de comunhão, de autonomia e de corresponsabilidade, vivido por homens e mulheres que partilham a herança espiritual de Champagnat e realizam juntos a missão marista. É um sinal do Espírito para que não duvidemos a vitalidade e continuidade do Instituto. É um Kairós, momento oportuno para partilhar e viver com audácia o carisma marista, formando todos juntos uma Igreja mais profética e mariana (XXI Capítulo Geral, p. 20). Seguimos constituindo uma família carismática formada por novas e diversas expressões comunitárias; desenvolvemos processos e estruturas de acompanhamento das vocações maristas que geram novas maneiras de vinculação e pertença dentro do carisma marista (II Assembleia Internacional da Missão Marista, Nairobi).

Jeito de Maria

Jeito de Maria

Maria é o modelo do ser e do agir Marista. Dando-nos o nome de Maria, Padre Champagnat quis que vivêssemos do seu espírito. Convencido de que ela fez tudo entre nós, chamava-a Recurso Habitual, Primeira Superiora e Boa Mãe. Contemplamos a vida de nossa Mãe como a perfeita discípula de Cristo (Constituições e Estatutos, n. 4). Assim, ao tornar Jesus Cristo conhecido e amado, o fazemos do jeito de Maria. Ela nos ensina a estar efetivamente próximos das crianças e dos jovens; a proclamar de maneira corajosa e profética a preferência de Deus pelos pequenos; a desenvolver as características de afeição e ternura em nossas relações.

Chamados a construir o “rosto mariano da Igreja”, cabe-nos hoje manifestar original e específica a presença de Maria na vida da Igreja e dos homens, desenvolvendo para isso uma atitude mariana, que se caracteriza por uma disponibilidade alegre às chamadas do Espírito Santo, por uma confiança inquebrantável na Palavra do Senhor, por um caminhar espiritual em relação aos diferentes mistérios da vida de Cristo, e por uma atenção maternal às necessidades e aos sofrimentos dos homens, especialmente dos mais simples (Ir. Emili Turú). A espiritualidade e apostolado marista confere esse “rosto mariano” à pluralidade de espiritualidades da Igreja.

Maria foi o primeiro membro da comunidade cristã, além do que, se faz colaboradora no renascimento espiritual dos discípulos. Sua figura de mulher livre e forte emerge do Evangelho conscientemente orientada para o verdadeiro seguimento de Cristo. Ela viveu completamente toda a peregrinação da fé como mãe de Cristo e depois como mãe dos discípulos, sem estar livre da incompreensão e da busca constante do projeto do Pai (Documento de Aparecida, n. 266).