A memória é elemento fundamental na vivência da tradição hebraico-cristã. A ação de Deus na história, à medida em que é relembrada e celebrada, torna-se novamente viva e eficaz. E esse é um exercício de gratidão, como mostra o termo hebraico zikaron: “Recordarei teu nome em todos os tempos”, cf. Sl 45,18. Fazer memória é narrar a história, reconhece-la no passado, reeditá-la no presente e projeta-la no futuro.
A coleção “Carisma e Princípios Educativos Maristas” também nasce do esforço de trazer à lume a rica trajetória da obra marista, desde Marcelino Champagnat e dos primeiros Irmãos até hoje, em suas múltiplas manifestações, nos mais diversos contextos culturais e sociais.
Os três volumes iniciais fazem uma divisão tripartida dessa trajetória, com enfoque prioritariamente educativo:

1 – Marcelino Champagnat e os primeiros Irmãos Maristas 1789-1840: tradição educativa, espiritualidade missionária e congregação, do Irmão André Lanfrey;

2 – A Vitalidade do Paradigma Educativo Marista (1840 -1993), do Irmão Juan Jesus Moral Barrio;

3 – A Educação Marista a partir de 1993: sua vitalidade e seu potencial para a criação de uma nova realidade, do Irmão Michael Green.
Os autores, estudiosos reconhecidos do Patrimônio Espiritual Marista, também adicionam a essa linearidade cronológica características próprias de sua história pessoal e institucional: Lanfrey, francês, é doutor em História; Moral Barrio, da região da Catalunha, é Pedagogo; Green, da Austrália, é doutor em Teologia. Dividem, porém, a mesma paixão pelo ensino e o sonho comum de ver o carisma do Fundador vivo nas novas gerações, em todas as latitudes.

Esta Coleção é o primeiro projeto do Memorial Marista – agora oficialmente erigido e formalizado, na ocasião da sua inauguração, para a divulgação de estudos sobre o Patrimônio Espiritual Marista (PEM). O Memorial é espaço privilegiado para a compreensão dos valores culturais institucionais e para sua difusão internamente e na sociedade. Os registros em todos os níveis – provincial, regional e de casa geral – encerram atividades muito importantes para uma instituição dedicada à educação, pedagogia, ensino e pesquisa, tais como: salvaguardar, preservar documentos e arquivos; assegurar a descrição, classificação e gestão de tais documentos; gerenciar, monitorar e controlar os conteúdos; subsidiar apoio e orientação de projetos e pesquisas. Mas é igualmente fundamental que se alcance a fase de apresentação dos resultados e de sua utilização como instrumentos de formação identitária, espiritual, pedagógica e de desenvolvimento da cultura institucional.
A Biblioteca Irmão Francisco Rivat, associada ao Memorial Marista, tem a missão de ser a fiel guardiã dessa rica memória: documentos da vida, obra e ensinamentos de São Marcelino Champagnat e dos primeiros Irmãos; documentos históricos e canônicos do Instituto; produções sobre a vida e obra dos Irmãos e das unidades administrativas (Províncias); de textos sobre espiritualidade, missão, pedagogia e educação maristas. Em especial, a Biblioteca terá sobretudo a tarefa ser um centro reconhecido de documentação e pesquisa em literatura marial.

O memorial, seguramente, ajudará o seu público interno, demais usuários e a sociedade a perceberem a relevância do nosso patrimônio histórico e espiritual maristas como um campo de possíveis, como um verdadeiro sustentador da nossa cultura bicentenária e de sua divulgação e expansão. Somos um memorial de real valor cultural, pois estamos presentes em mais de 80 países e carregamos os princípios da internacionalidade, da inter e multiculturalidade!
Cabe aqui um agradecimento muito especial. Os três livros nasceram dentro projeto do Curso Carisma e Princípios Educativos Maristas, ofertado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR. O Curso foi organizado pelo Irmão Antonio Estaún e o material à disposição dos alunos foi produzido com a parceria da Editora Champagnat.
Marcelino Champagnat fundou o Instituto dos Irmãos Maristas em 2 de janeiro de 2017. Quase duas décadas depois, lembrava os Irmãos do primeiro começo, para que se tornassem a memória frutuosa das gerações futuras. Fazer nota do que foi vivido e passar isso adiante não é simples movimento de retorno ao passado, mas antes, como afirma o XXII Capítulo Geral, o lançar-se a Um Novo Começo!

Benê Oliveira, fms