La Valla: farol que orienta o nosso caminho – uma metáfora da presença de Deus em nosso interior.

 

O Irmão Emili Turu, Superior Geral do Instituto Marista, escreveu recentemente a Carta “La Valla: casa da luz”. Nela somos convidados a celebrar o Dia de São Marcelino Champagnat numa dimensão eclesial, dado que depois da canonização, é patrimônio de toda a Igreja, do mundo.

Nossa missão como Maristas de Champagnat consiste em tornar Jesus Cristo e Seu Evangelho, conhecidos e amados, assim como a devoção à Maria – o rosto mariano da Igreja.

Somos também convocados pelo Papa Francisco a ser “Igreja em saída”, isto é, Igreja missionária capaz de abandonar a auto-referencialidade, corajosa a ponto de partir para as periferias existenciais e de transformar tudo: os estilos, os horários, a linguagem… numa atitude constante de saída (cf. EG 26-27) para abraçar o sonho de São João Paulo II que pediu à Igreja uma “nova evangelização”, com “novo ardor”, “novos métodos” e “nova expressão”. A periferia nos pede uma conversão do olhar: “Queremos ver o mundo pelos olhos das crianças e dos jovens pobres e assim mudar nossos corações e atitudes, como fez Maria” (cf. XXI Capítulo Geral). Uma nova visão nos faz sair de nós mesmos e traz o mundo ao nosso interior.

Marcelino Champagnat foi um homem da periferia numa Igreja marcadamente clerical e que insistiu e perseverou na fundação de um instituto de religiosos-leigos (“Precisamos de Irmãos”), como expressão da vivência da fraternidade. Não fez opção pelos grandes, antes pelos últimos, aqueles que não recebiam a atenção de ninguém: as crianças pobres da zona rural da França. Com sua vida e missão pautadas pela “igreja em saída” nos ofereceu uma igreja materna, da ternura e da acolhida, dimensões sonhadas pela igreja do Papa Francisco. Ver o mundo com os olhos das crianças significa, entre outras coisas, abrir o nosso coração “àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais e situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo atual. Quantas feridas estão gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos que vivem na opulência (cf. Misercordiae Vultus, n. 15).